"Subversão político-ideológica: guerra de quarta geração". [por Antonio L. Mata Salas]

 "Subversão político-ideológica: guerra de quarta geração"


A subversão político-ideológica é a forma como os Estados Unidos e seus seguidores realizam a guerra através de métodos "legais" e sofisticados. Utiliza métodos, procedimentos e meios muito diferentes, os mais sutis e elaborados, onde tudo se destina a confundir pessoas e a formar imagens ilusórias e critérios distorcidos. Existem centros especializados de pesquisa no estudo de processos de informação para revelar recursos ocultos que possibilitam aumentar a efetividade das mensagens transmitidas. 

A CIA e a USAID desempenham um papel importante neste trabalho e em coordenação com os centros ideológicos estabelecidos em fundações, universidades, centros especializados dedicados a estudos sociais e políticos; bem como na inteligência do Departamento de Estado. 

É neste contexto que o conceito da chamada Guerra de Quarta Geração (4GW) começou a ser discutido há vários anos, que é um termo usado por analistas militares e estrategistas para descrever a última fase da guerra na era de tecnologia, informática e comunicações globais para fins subversivos. Em um artigo do pesquisador e especialista em inteligência estratégica Manuel Freytas, os conteúdos do 4GW são amplamente descritos e apontam que a primeira conceituação foi apresentada por William Lind e quatro oficiais do Exército e do Corpo de Infantaria da Marinha dos Estados Unidos, em um documento de 1989 intitulado: "O rosto mutante da guerra: para a quarta geração".

Posteriormente, o conceito foi associado à "Guerra assimétrica" e à "Guerra contra o terrorismo". Em relação à evolução dos períodos da guerra até a quarta geração, especialistas no assunto coincidem mais ou menos em descrevê-los assim: 

A guerra de primeira geração corresponde aos confrontos com táticas de linhas e colunas. Começa com o aparecimento de armas de fogo e atinge sua máxima expressão nas guerras napoleônicas com o confronto entre massas de homens. 

A segunda geração começa com o advento da Revolução Industrial e a disponibilidade no campo de batalha de meios capazes de deslocar grandes massas de pessoas e desencadear poderosos fogos de artilharia. O confronto do poder contra o poder e o uso de grandes recursos é a característica essencial dessa geração. A Primeira Guerra Mundial é o exemplo paradigmático. 

A guerra de terceira geração foi desenvolvida pelo exército alemão no conflito mundial de 1939-1945 e é comumente conhecida como "blitzkrieg" (Blitzkrieg). Não é baseado em poder de fogo, mas em velocidade e surpresa: caracteriza-se por neutralizar o poder do inimigo ao detectar flancos fracos para cancelar sua capacidade operacional, sem destruí-los fisicamente. Esse estágio é identificado com o uso de táticas psicológicas de guerra e infiltração na parte traseira do inimigo durante a Segunda Guerra Mundial. 

Atualmente, a espinha dorsal da guerra da quarta geração é enquadrada no conceito de "guerra psicológica", ou "guerra sem rifles", que é o uso planejado de propaganda e ação psicológica visando dirigir o comportamento, na busca por objetivos de controle social, político ou militar, sem recorrer ao uso de armas. Os exércitos militares são substituídos por grupos operacionais descentralizados, especialistas em insurgência e contra insurgência e especialistas em comunicação e psicologia em massa. O desenvolvimento tecnológico e informático da era das comunicações, a globalização da mensagem e as capacidades para influenciar a opinião pública mundial transformarão as operações da ação da mídia psicológica na arma estratégica dominante do 4GW. 

Como na guerra militar, um plano de guerra psicológica destina-se a: aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo. A guerra militar e suas técnicas são reavaliadas nos métodos científicos de controle social e se tornam uma estratégia eficiente de dominação sem o uso de armas. Em resumo: 

- Eles não manipulam a consciência, mas os seus medos e desejos inconscientes. Todos os dias, durante as 24 horas, há um exército invisível que aponta para a sua cabeça: não usa tanques, aviões ou submarinos, mas informações direcionadas e manipuladas por meio de imagens. 

- Os inimigos psicológicos não querem que você pense, mas que você consuma informações: notícias, manchetes, imagens, que excitam seus sentidos e sua curiosidade, sem conexão uns com os outros. 

- Quando sua mente está fragmentada com manchetes desconectadas, pare de analisar (o que e por que de cada informação) e se torna um consumidor de ordens psicológicas direcionadas através de slogans. 

 - as manchetes e as imagens são os mísseis de última geração que as grandes cadeias de mídia disparam com precisão devastadora em seu cérebro transformado em teatro de operações da Guerra da Quarta Geração. 

 - Quando você consome a imprensa internacional sem analisar o que e o porquê, os interesses do poder imperial que se movem para trás de todas as notícias ou informações jornalísticas, estão consumando uma guerra de quarta geração.

Antonio L. Mata Salas 

[publicado no site web de NOVA CULTURA]

*GALIZA CONTRA O BLOQUEO A CUBA* NA CORUNHA, sábado 29 de outubro

GALIZA CONTRA O BLOQUEO A CUBA

NA CORUNHA, sábado 29 de outubro.
Os vindeiros 2 e 3 de novembro, a República de Cuba someterá a votación na Asemblea Xeral da ONU, por 30ª vez, a resolución “Necesidade de ponher fin ao Bloqueo Económico, Comercial e Financeiro imposto polos Estados Unidos de América contra Cuba”.
 
Nós apelamos ao Povo Galego a apoiar e participar en todas as accións solidarias e contra o bloqueo a Cuba, así como tamén esixir que o goberno espanhol apoie na ONU a resolución que presentará a Delegación de Cuba. 
 
No concreto, apoiamos esta mobilización convocada pola Asociación de Amizade Galego-Cubana "Francisco Villamil" que vai ser o sábado 29 de outubro ás 12:00 h, diante da "Subdelegación" do Governo, na Avenida da Mariña, 23.
 
#Cuba Socialista ten dereito a viver!.
O bloqueo é un crime!
O noso mundo sería melhor sen bloqueo a Cuba!.
Avante a nosa solidariedade!
 

URBANO MANEIRO MARTÍNEZ "LOURO" (II). Memoria do 72 e da clase obreira galega.




URBANO MANEIRO MARTÍNEZ "LOURO" (II)
Memoria do 72 e da clase obreira galega.
[O primeiro capítulo foi publicado nesta r.s o pasado 9 de Outubro]
 
Como dixen nalgún comentario anterior, resumir ou sintetizar as aportacións de URBANO MANEIRO MARTÍNEZ ou a dos seus camaradas ben merecen pararse un pouco máis que no caso da xeneralidade daquela canteira militante dos anos 60 e 70. 
 
E non é doado, por varios motivos:
- pola distancia imposta polo tempo que pasou daquilo (máis de medio século).
- polas distintas visións ou responsabilidades que uns e outros/unhas e outras tiveron na clandestinidade e mesmo polas distintas militancias que tiveron uns e outros.
- Mais tamén pola opacidade dun certo relato oficial que chegou até nós... un relato, digámolo claramente, condicionado polo subxectivismo intereseiro e por unha ocultación coa que se pretendeu condenar aos díscolos.
 
É por iso que os companheiros/as da Comisión Memoria do 72*, constituída hai 10 anos (con motivo do 40 aniversario do 72) consideramos transcendente a testemunha directa frente á versión dos que os condenaron ao ostracismo. 
 
A nosa investigación recolhida en muitas horas de vídeo e arquivo sonoro, recolhe por volta dunha ducia de testemunhas daqueles e daquelas que mantiveron a cabeza ergueita do seu compromiso honesto, a coraxe e a actitude inequivocamente integradora naquel trance histórico, a daqueles que non avalaron determinada linha seguida a partir de desenhos pactictas e “reconciliadores” que se impulsaban desde París e Madrid. 
 
É a testemunha dunha parte dos que pagaron un prezo por non torcer nin trocar principios pola conciliación dominante dos que aínda hoxe tentan vendernos como bondade da transacción.
URBANO MANEIRO foi e é un deses homes: preciso e indepente nas súas análises, clarividente, disciplinado e organizado, fiel cos camaradas e nos principios leninistas, que se mantivo firme ante a ditadura e que non se deixou utilizar polos que pretendían outros obxectivos co macuto da chamada formulación da “Reconciliación Nacional” que nunca aceptou, como ben me/nos dixo en máis dunha ocasión (ver capítulo anterior).
 
- Ver estas outras afirmacións súas:
“Finalmente Carrillo renunciou á “ruptura democrática”, aceptando na Xefatura do Estado ao Borbón designado polas Cortes Franquistas e o Partido, no que manda o carrillismo abandona na práctica principios organizativos e ideolóxicos importantes, a ruptura democrática, o direito de autodeterminación e o estado plurinacional, e é a partir daí que se descompón, ponhendo en evidencia o oportunismo de muitos dos seus dirixentes. Nos “resíduos” do que foi un grande Partido prevaleceu o carrillismo, do que foron copia ou exemplos outros secretarios xerais, mesmo o propio Julio Anguita, antes do seu xiro de 180 graos e que eu comparto”.
 
- Canto á súa praxe, vai isto outro:
“Cando voltei do Brasil e Euskadi, ingresei no Partido en Vigo (1967/68), Carlos Nuñez era o secretario xeral. En pouco tempo asumin a responsabilidade do aparato de propaganda.
"O 90% das octavelas eran feitas (redactadas) por min, sempre discutidas polos membros do Comité do Partido e tamén sempre escoitando a voz e inquedanzas dos trabalhadores. “L. Ferreiro” levavaas a Beade (casa do camarada Figueroa, onde estaba a multicopista clandestina) e aos buzons dos camaradas para facelas chegar os comités das empresas de Vigo. CCOO era a correa de transmisión del PC".
"Tamen recibía en clave a correspondencia do Partido Comunista de España que nos mandaban desde Francia; vinhan a nome de Carlos Nuñez. Despois dun tempo a correspondencia ven a nome de Carlos Barros e é cando Carlos Nuñez se cabrea e se vai por un tempo, ficando eu como Secretario local del Partido. 
 
"Carlos Barros quería mandarme para Pontevedra, mais a votación non lhe foi favorabel e mesmo foi sancionado a sair do Comité Local e militar na base do Partido. Coa traición de Carrillo ao pactar a traición coa oligarquía decadente do franquismo, aceptando o Borbón na Jefatura del Estado e renunciando na práctica á ruptura democrática que tería que ser irrenunciábel, o partido comenza a súa crise imparábel, a desintegrarse.., cousa que tivo repercusión nas CC. OO. e claro, grande parte das persoas dirixentes (entre eles C. B e C. N) tinhan limitacions no conhecemento da ideoloxia marxista-leninista."
 
"Cando a xuventude, liderada por Abelardo Collazo, entrou en conflicto ideológico co Partido, Carlos Núñez levoume para debater as diferencias ideológicas, nunha reunión que tivo lugar no bairro de Coia -Vigo, non sendo posíbel o acordo, pois as posturas eran irreconciliabeis, máis seguín mantendo boa relación persoal con Abelardo e mesmo me pediu instruccións de como trabalhar na confección dos clichés, cousa á que accedín naturalmente".
 
Até aquí este outro modesto RESUMO en retazos do pensamento e o compromiso práctico de Urbano Maneiro Martínez, quen foi dirixente xuvenil comunista no Brasil e en Euskadi, participante nas tarefas e debates da fundación do PCG, membro e responsabel do aparato de propaganda do PCG durante anos, Responsábel Local de Vigo do PCG a partir da Folga/Greve de setembro de 1972, membro do C. Executivo do PCG.. 
 
- Algúns seguimos perguntándonos admirados: Como é posíbel que exista esta "esquencia" nas publicacións e dossiers de certos historiadores ou nos documentos publicados na actualidade polo propio partido e as CC.OO?. 
 
- Como é posíbel que algúns outros autores reduzan a súa participación naquela época histórica a tres ou catro linhas nas que o seu propio nome aparece terxiversado ou trabucado (algún sendo perfectamente conhecedor da súa figura como dirixente comunista e antifranquista) ?
* . Os que o conhecemos estamos na obriga de resgatar estas valiosas testemunhas, e é por iso que facemos. 
 
. El tamén foi e é meu/noso camarada e tivemos o privilexio de telo na dirección do noso partido, no PCPG - mediados a finais dos anos 80- xa o dixen na primeira "entrega".
 
 << Há um dito que é tam comúm como falso: o pasado pasado está, cremos. Porén o pasado non pasa nunca, se há algo que não pasa é o pasado, o pasado está sempre, somos memória de nós mesmos e dos demáis, e neste sentido somos do papel onde se escreve todo o que acontece antes de nós, somos a memoria que temos >>
[José Saramago].
 
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Honrar a historia e aportación dos camaradas é conhecela.
Seguiremos facéndoo coas de muitos máis, porque iso é tamén honrar a clase. No caso de Urbano e uns poucos/as máis disponhemos aínda de máis info (isto é só un resumo) e, alén disto contamos con algún ou algúns vídeos que publicaremos en canto nos sexa posíbel.
 
Continuaremos pois 
 
Xosé Collazo Castro (20.10.2022)

Acerca da nosa definición pública. WIKIPEDIA e os seus "voluntarios" non son os que nos definen.


Atención aos nosos lectores.

Non fagan caso de definicións do noso partido en webs ou portais alheos á nosa páxina. Por exemplo, non crean o que de nós din os que escreven a muito famosa, como pouco acreditábel WIKIPEDIA.

Fóron tantas as inexactitudes nesa "enciclopedia" dixital e tantos os intentos para restablecer a verdade que nos vemos na obriga de comenzar a publicación desta entrada para esclerecer e transmitir a verdade do que somos. 

Comenzamos aportando unha primeira parte da nosa declaración xeral e aos poucos continuaremos editando esta definición que desde outras lideiras alheas pretenden facer boa.  

1. O Partido Comunista do Povo Galego foi creado en 1984, paralelamente ao proceso de unidade e recomposición comunista impulsado en todo o estado por distintos partidos comunistas e mais en Cataluña polo Partit dels Comunistes de Catalunya, en contra do eurocomunismo imperante no marco do Estado Espanhol e do PCG no noso país GALIZA)

Este proceso levou á fundación do Partido Comunista (PC), antecesor do que logo foi e conmtinúa a ser o PCPGPosteriormente  o noso partido iniciou os trámites de legalización e rexistrouse en 1993 como Partido Comunista do Pobo Galego.
 
2. O PCPG embandeirase, como a imensa maior parte das organizacións comunistas e obreiras revolucionarias, no Marxismo Leninismo e proclama nesta hora a necesidade de lutar pola Unidade Popular e tamén a Unidade e Reconstrucción Comunista, hoxe como sempre, desde bases e principios firmes ORGANIZATIVOS, POLÍTICOS E IDEOLÓXICOS. 

3. O noso logo ou anagrama é o que figura nesta entrada e que até o presente non aceitou que insertáramos os da WIKIPEDIA.

[Continuaremos editando sobre aspectos do activismo do noso pasado, actividade presente e sobre a nosa política de alianzas ou de Unidade Popular] e seguiremos intentando que a WIKIPEDIA nos reconheza]. 

"Loitamos por unha sociedade sen clases, sen opresión nin explotación; sen alienación e desigualdade. Por un mundo de xustiza e liberdade. Para exercermos como povo traballador o inalienabel direito democrático de Autodeterminación Nacional"

URBANO MANEIRO, con nome clandestino “LOURO” é un dos imprescindíbeis

Memoria do 72 e da clase obreira galega [1]. 

URBANO MANEIRO, con nome clandestino “LOURO” é un dos imprescindíbeis* 

Ocorre muitas veces que, na historia do movemento obreiro organizado, acontecen esquecementos muitas veces inexplicados e inxustificables.

Este é o caso do camarada do que falo nesta 3ª publicación sobre "o 72", aquel movemento da clase obreira insurxente xurdido da semente de clase que espalharon ducias ou centos de obreiros esclarecidos en décadas anteriores e do que renaceron raiceiras profundas e potentes en pleno fascismo na cidade de Vigo ou Ferrol a primeiro anos 60 e seguintes.

O camarada URBANO MANEIRO está incomprensíbelmente afastado ou esquecido de todas as publicacións e documentarios feitos até o presente. As únicas referencias que pode haber sobre el nos libros e dossiers redúcense algunhas linhas, 2 ou 3 e muito erradas, nalgún caso. Disto, talvez a única razón sexa, suponho (mais alén do lóxico desconhecemento dos que trabalharon sobre isto) o subxectivismo e a perspectiva subxectiva ou intereseira condicionada polas diferencias ou confrontacións ideolóxicas e prácticas que se manifestaron no pasado no seo do mesmo partido en que militaban.

URBANO MANEIRO naceu en Porto do Son, na altura en que o abrente republicano e a ascensión da luta obreira no mundo enteiro iluminaban e inspiraban potentísimos movementos emancipatorios e de clase. Para min é das persoas máis lúcidas, preparadas ou competentes que pasaron pola dirección do activismo democrático en Vigo e tamén polo comunismo organizado galego.

Nos anos 50 comenzou a trabalhar como torneiro e a militar na Xuventude Comunista e o Partido Comunista do Brasil, destacando pola súa entrega, polo estudo e polo seu liderazgo á frente dos trabalhadores da empresa na que trabalhaba, levando a iniciativa e e dirixindo mesmo unha folga ou greve xeral. Pese á súa xuventude, as súas intervencións, dotadas de notábeis capacidades de oratoria e conhecementos marxistas, tinhan a virtude de conseguir apoio inmediato, o entusiasmo e apoio dos seus companheiros, tal foi así que chegou a impartir charlas e clases de marxismo (ao Redor do Capital) no Centro Español de Rio de Janeiro.

Volve ao Estado Español desde o Brasil primeiros anos 60, como di el: “a lutar pola Revolución” incorporándose á actividade dos comunistas do EPK-PCE, en contacto organizado cos camaradas da súa máxima dirección e tivo relación con boa parte da oposición democrática basca e coa daquela nacente esquerda abertzale.

Chegou a Vigo pouco despois de mediados dos anos 60 e formou parte, case de inmediato, da dirección do PC e PCG, onde se fixo cargo da responsabilidade do aparelho de Propaganda do Partido e é a partir dese momento cando o PCG ten unha actividade principalísima na “axitación e propaganda” que non deixaría de ser sempre hexemónica e referencial na cidade olívica. Canto a el, pode dicirse que a imensa maioría da propaganda (90 por cento dos pasquíns e octavelas) que se distribuían naquela na Comarca obreira de Vigo (desde o PCG e as Comisións Obreiras) eran da súa responsabilidade (escritas por el).

Como di el, o movemento folguístico de Vigo, a folga ou greve xeral de Vigo, “fíxoa posibel o principio leninista de que os Comités das empresas eran Correa de transmisión do PC”.
Como adianto do seu trabalho déixovos esta breve pasaxe que nos pasou de palabra e por escrito en dous momentos:

- “Eu imprimía as octavelas nos clichés que se enviaban á multicopista oculta na casa do camarada Figueroa en Beade/Vigo. De alí saían as octavelas que chegaban aos Comités das empresas de toda a Comarca de Vigo”.
- "Non todos os miembros da dirección do Comité Local do PCG votaron a favor da folga xeral de setembro do 72, C. B. votou en contra".
- "Despois do golpe represivo, C. N. foi a Francia e eu fiquei de secretario do Partido".
- "No ano 74 membros do Comité Ejecutivo do PCG viaxamos a Francia para ter una reunión co Comité Executivo do PCE e puiden comprobar que S. Álvarez era un peón de Santiago Carrillo que defendía a chamada “reconciliación nacional”, que nunca compartín".

Urbano Maneiro, o obreiro que fixo o 90% das octavelas e pasquíns do PCG a partir de 1968 até bastante despois do 72 (a última que confeccionou e difundiu foi despois de abril de 1974 sobre a Revolución de Abril portuguesa) e foi cando algún outro dirixente daquel PC "eurocarrillista" lhe fixo saber que a dirección do seu PC non recomendaba apoiar ao PCP, cando decidiu tomarse un tempo de distanciamento daquilo que considerou inadmisíbel.

Até aquí este adianto, un primeiro resumo de quen foi e é o lúcido pensador e intrépido dirixente nas máis difíceis situacións de ameaza reaccionaria, o camarada inconformista e íntegro que nunca casou coas medias verdades e co oportunismo.

Eu conhecín ao camarada en 1984 cando despois de nacermos como PC. (“pecepunto”) erguemos o PCPG e el foi tamén dirixente noso en Vigo durante un tempo, até finais dos anos 80.

Aínda hai obreiros destacados das lutas obreiras de Vigo que se refiren a el como o “profesor Maneiro”, o profesor de marxismo no Brasil e despois en Vigo. Talvez por iso é que pensan que o foi na realidade. El que foi torneiro e despois "comercial" (un trabalho liberal que lhe permitiu dispor dalgún tempo libre para o seu activismo). Para amigos e camaradas referenciais e históricos do movemento obreiro é un mestre, pra min tamén.

Nunha segunda parte ampliaremos máis a información sobre o noso pasado e o pensamento e obra do camarada. É preciso esclarecer, aprender e difundir, e considero que non se pode continuar esquecendo.

“As nosas clases dominantes procuraron sempre que os trabalhadores non tenhan historia, non tenhan doutrina, non tenhan herois nin mártires. Cada luta debe empezar de novo, afastada das lutas anteriores. A experiencia colectiva pérdese, as leccions esquécense. A historia aparece así como propiedade privada cuxos donos son os donos de todas as cousas”.
[Rodolfo Walsh. 1969]. 
 
*Foi publicado o 9 de outubro de 2022.
por Xosé Collazo Castro

O hara-kiri económico da Europa

 O hara-kiri económico da Europa

 
 
 
Prabhat Patnaik [*]
- Imagem: Von der Leyden.

A cessação do fornecimento de gás natural da Rússia à Europa em retaliação às sanções ocidentais impostas à Rússia por causa da guerra da Ucrânia, está a ameaçar a Europa não só com um Inverno com aquecimento inadequado que irá ter um grande impacto em termos de vidas entre as pessoas pobres, mas também com encerramentos de empresas em grande escala. Tais encerramentos aumentariam a taxa de desemprego e aumentariam significativamente a pobreza e a miséria entre os trabalhadores.

Não é apenas o efeito imediato sobre a Europa que ameaça ser gravemente adverso. O capital já começou a deslocalizar-se da Europa para os Estados Unidos, uma tendência que inevitavelmente ganhará ímpeto, de modo que o crescimento a longo prazo e, consequentemente, as perspetivas de emprego naquele continente serão também afetadas. Em suma, a Europa está a entrar num período de graves dificuldades económicas que são da sua própria autoria; está a cometer hara-kiri económico no processo de afirmar a sua lealdade aos EUA na guerra da Ucrânia. Oscar LaFontaine, o antigo ministro do SPD na Alemanha e fundador do partido de esquerda Die Linke, agora retirado da política ativa, chamou à Alemanha "um vassalo americano na guerra da Ucrânia" (The Delphi Initiative, 17/Setembro/2022); ele está indubitavelmente certo.

A opinião pública europeia, como era previsível, está a ser alimentada com a ideia de que Vladimir Putin é responsável por estas desgraças europeias. Mas mesmo antes de Putin decidir encerrar o gasoduto Nord Stream-1 que traz o gás russo para a Europa, líderes europeus falavam quase diariamente acerca do boicote ao gás russo. Putin pode portanto dizer que efetuou aquilo que os líderes europeus queriam. Além disso, esperar que a Rússia se mantivesse a fornecer gás à Europa porque a Europa dele necessitava (porque o gás estava originalmente isento do âmbito das sanções), enquanto ela própria sofria o impacto das demais sanções, é análogo a fazer a exigência absurda de que a Rússia deveria oferecer a outra face quando esbofeteada numa delas. Aqueles que unilateralmente impõem sanções sobre outros deveriam estar preparados para a retaliação. De facto, o país que recebe sanções tem o direito de retaliar e aqueles que impõem sanções deveriam estar preparados para tal retaliação.

Mas a seguir seria argumentado que a culpabilidade de Putin se situa a um nível mais fundamental, nomeadamente pela interferência na liberdade da Ucrânia para decidir se quer aderir à NATO. Qualquer país, assim diz o argumento, deveria ter a liberdade de aderir a qualquer acordo e nenhum outro país tem o direito de impedir que o faça. Mas mesmo que nos esqueçamos das garantias ocidentais a Mikhail Gorbachev, o último líder da União Soviética, de que a NATO não seria expandida para leste; mesmo que nos esqueçamos do derrube, patrocinado pelos americanos, de um governo popularmente eleito na Ucrânia, em 2014, que havia desejado relações amistosas com a Rússia; mesmo que nos esqueçamos do facto de que o subsequente governo recém-instalado na Ucrânia, escolhido a dedo pela clique americana Neo-Con, esteve a travar uma guerra contra a região de Donbass, de maioria russa, que ceifou 14.000 vidas antes da intervenção militar russa; e mesmo que esqueçamos o facto de que os EUA têm 800 bases militares em 80 países em todo o mundo, cujo único objetivo é perpetuar a hegemonia americana; mesmo que esqueçamos todos estes factos e olhemos simplesmente para a questão da liberdade de um país aderir a qualquer acordo e instalar quaisquer armas no seu próprio solo, os quais as potências ocidentais lideradas pelos EUA estão agora a enfatizar, isto só levanta a questão: então porque é que os EUA empurraram o mundo para a beira de uma guerra nuclear por terem negado essa mesma liberdade a Cuba durante a crise dos mísseis de 1962?

A BELIGERÂNCIA EUROPEIA TERÁ CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS

A beligerância europeia em relação à Rússia, seguindo a liderança americana, não terá só consequências económicas prejudiciais; a sua repercussão política será desastrosa: empurrará a Europa não só para a Direita, mas também para perto do fascismo. Os imensos fardos que imporá à classe trabalhadora são reconhecidos por todos e também o facto de que a classe trabalhadora aumentar a sua resistência contra estes fardos. Mas as formações políticas "liberais" não estão preocupadas com estes fardos, cujo lado negativo são os lucros maciços que estão a ser feitos pelas companhias petrolíferas que aumentaram as suas margens de lucro aproveitando-se da cessação do fornecimento de gás russo. (Do mesmo modo, o lado negativo dos impostos que estão a ser cobrados ao povo americano para financiar os fornecimentos militares dos EUA à Ucrânia para prolongar a guerra são os lucros maciços que estão a ser ganhos pelos fabricantes de armamento). O que é lastimável é que mesmo sectores da esquerda europeia estão dispostos a endossar estas ações beligerantes dos seus governos.

Vários grupos fascistas estão a fazer um grande barulho sobre o desastre que se aproxima e a sua produção é utilizada por muitos grupos de esquerda como argumento para não tomarem qualquer iniciativa contra estes movimentos que prejudicam a classe trabalhadora (pois então seriam vistos como estando a posicionar-se ao lado dos fascistas). Na Alemanha, por exemplo, é a AfD, o grupo fascista, que protesta contra as ações do governo. No entanto, o ruído fascista, dado o implacável oportunismo destes grupos, na realidade pouco significa. Se eles chegarem ao poder, farão uma completa meia volta e até agirão contra os seus próprios apoiantes que continuarem a levantar os seus velhos slogans. Mas a sua chegada ao poder com base nestes slogans é precisamente o perigo. Espera-se que a Itália eleja um governo de extrema-direita, no qual os fascistas descendentes do partido de Mussolini serão uma parte importante, nas eleições que se realizarão a 25 de Setembro. Mas o presságio é que a ascensão do fascismo será mais geral na Europa, propagada por vários países, incluindo, assustadoramente, até a Alemanha.

É este perigo que Sahra Wagenknecht, líder da Die Linke e sua antiga co-presidente, tinha em mente quando pediu ao seu partido que organizasse protestos sociais contra o governo, embora a Direita também esteja a fazê-lo. Como disse ela, "Qualquer pessoa que desista de posições corretas e populares só porque algumas delas são também representadas pela AfD já perdeu o combate antes mesmo de ele ter começado" (MR Online, 18/Setembro/2022).

A política anglo-americana sempre foi manter a Europa, especialmente a Alemanha, longe da Rússia e atual safra de políticos europeus assimilou completamente esta política, ao contrário de muitos dos seus antecessores. Charles De Gaulle, por exemplo, não permitiu uma base da NATO sobre o solo francês pois pensava que isto afastaria para longe das mãos francesas a decisão sobre lançar ou não uma guerra. O desejo de ter uma posição independente em relação aos americanos e de promover a paz na Europa levou Willy Brandt, quando foi chanceler da Alemanha, a abrir-se para a Europa Oriental no que era chamado Ostpolitik.

A falta de independência da safra atual de líderes europeus tem sido explicada de várias maneiras. Enquanto alguns atribuem-na à absoluta mediocridade destes líderes, outros vêem a estreita ligação entre eles e as corporações envolvidas em atividades que beneficiam diretamente da guerra, tais como a fabricação de armamento, incluindo mesmo corporações americanas. (O líder da CDU na Alemanha, por exemplo, que é hoje o maior partido da oposição e ao qual pertenceu a ex-chanceler Angela Merkel, Frederick Merz, é um antigo empregado da BlackRock, o gigante financeiro americano). Mas seja qual for a razão, estamos a testemunhar a uma situação que faz lembrar a que prevalecia na Europa na véspera da Primeira Guerra Mundial: governos completamente isolados do povo comum tinham pedido às pessoas, então como agora, que fizessem sacrifícios que não têm qualquer razão de ser do seu ponto de vista.

É o desejo de manter um mundo unipolar que explica a confrontação ocidental inspirada pelos Neo-Con com a Rússia e que impede uma solução negociada para o conflito da Rússia com a Ucrânia. O acordo de Minsk apoiado pela França e pela Alemanha havia proporcionado a base para tal solução; mas foi torpedeado pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos. Muitos, inclusive Oscar LaFontaine, acreditam que os acordos de Minsk ainda podem fornecer a base para uma solução negociada. Um cessar-fogo, seguido de negociações de acordo com aquelas linhas ainda pode evitar um desastre. Mas os EUA não deixaram de sonhar com uma mudança de regime na Rússia: se a guerra se arrastar, espera que haja uma revolta interna contra Putin dentro do seu próprio círculo (com alguma instigação sem dúvida "de fora"). Quanto mais cedo a Europa tomar uma posição independente dos EUA e trabalhar para um acordo negociado, melhor para todos os interessados.

25/Setembro/2022
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2022/0925_pd/europe’s-economic-hara-kiri
Este artigo encontra-se em resistir.info
Ver menos

"Como funcionava a democracia soviética nos anos 30"

 "Como funcionava a democracia soviética nos anos 30"



(...) Em Dezembro de 1936, o Partido Comunista devia realizar as eleições anuais dos seus dirigentes. Até ali, as candidaturas e eleições para cargos partidários tinham sido sempre feitas abertamente. Mas devido a esta prática havia membros que se sentiam muitas vezes constrangidos em expressar a sua oposição a certas figuras poderosas dos comitês executivos, com receio de represálias. O Comitê Central decidiu então submeter toda a direção a um teste para saber se os seus membros tinham realmente a aceitação das bases. Aqueles que realizavam um serviço público útil seriam provavelmente reeleitos, enquanto outros, que estavam simplesmente agarrados a uma sinecura e a um lugar de poder, dificilmente manteriam os seus cargos. Com este fim foi introduzido o voto secreto. Os resultados foram surpreendentes. Em algumas organizações distritais do partido, direções inteiras foram varridas das suas funções.


Noutras houve uma sanção severa à direção através de um forte voto de oposição, embora, no seu conjunto, a direção nacional do partido tenha recebido um retumbante apoio. O partido sentiu-se fortemente revigorado pelos novos quadros eleitos e pelo afastamento daqueles que se tinham tornado burocratas empedernidos e já não eram bem-vistos em cargos de direção.


Desde a implantação do poder soviético que a luta contra a burocracia constituía uma das principais tarefas assumidas pelos dirigentes mais responsáveis. O nepotismo, o favoritismo e as práticas de grupos fraccionistas tinham criado uma situação malsã: quando alguém chegava a um posto de responsabilidade, na indústria ou serviço do Estado, trazia imediatamente como adjuntos todas as pessoas que, por uma razão ou outra, favorecia, e colocava-as nos melhores postos sob a sua dependência. Com frequência estas pessoas não eram qualificadas e mesmo quando o eram o sentimento de que tinham um protetor levava-as a tornarem-se preguiçosas e burocráticas. Além disso, estes dirigentes tinham tendência para aumentar o pessoal acima das necessidades da empresa, fosse porque queriam "cuidar" de todos os seus amigos, fosse porque sentiam que quantas mais pessoas estivessem sob o seu controle, maior era a sua influência. O problema tornou-se de tal modo sério que o governo adotou medidas que começaram a ser aplicadas em 1935. Em dada altura surgiu uma grave penúria de braços para a colheita. Em contrapartida estimava-se que havia pelo menos 25 mil funcionários públicos em Moscou que não eram absolutamente necessários para assegurar o normal funcionamento da economia do país. Depois de uma campanha educativa, cada instituição do Estado recebeu simplesmente uma quota de trabalhadores que teria de destinar ao trabalho agrícola. Após uma seleção adequada, 25 mil funcionários foram transferidos de Moscou para os locais de produção.


A batalha para manter o país nos eixos, contra a paralisia crescente (que, por um lado, a oposição tentava deliberadamente apresentar e, por outro, a simples existência da burocracia tinha tendência a provocar), foi travada com particular severidade nas eleições gerais, realizadas em Dezembro de 1935, para o Congresso dos Sovietes da URSS(1), que precedeu à aprovação da nova Constituição [em Dezembro de 1936].


A observação de perto destas eleições impressionou-me, uma vez que, em todas as discussões sobre a democracia soviética e na sua comparação com as práticas democráticas noutros países, raramente se obtinha uma imagem do funcionamento dos canais da expressão democrática do povo no novo processo eleitoral. Vendo isto a três mil milhas de distância, pareceria que havia um boletim de voto e que ao povo era dada a possibilidade de votar «sim» ou «não». Isso era de facto verdade nas eleições nazistas, mas constituía uma imagem completamente falsa no que respeita à União Soviética.


Para começar, na União Soviética, a política e as eleições não são deveres especiais de um partido político. Se não compreendermos este facto essencial, tudo o resto será provavelmente confuso. As escolhas para cargos públicos não são feitas apenas por um partido político. É certo que o partido comunista apresenta muitos candidatos, mas também os sindicatos indicam candidatos independentes para cargos políticos, tal como as cooperativas, as organizações culturais, as academias científicas, as organizações de juventude, as organizações de mulheres e quaisquer outras instituições ou organizações que o desejem. Em suma, as nomeações para cargos públicos, que no nosso país emanam unicamente dos partidos políticos, na União Soviética emanam de todas as organizações populares possíveis.


A segunda coisa que se tem de compreender a respeito das eleições soviéticas, e que lhes confere a sua qualidade democrática especial, é o facto de o momento decisivo da seleção dos candidatos não está na votação final, mas no processo de apuramento das candidaturas.


Tive o privilégio de observar do princípio ao fim as candidaturas e as eleições na zona em que vivi e trabalhei. A eleição específica a que me refiro foi para os delegados ao Congresso dos Sovietes da URSS, que equivale à eleição dos membros para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em Washington. Cada instituição da circunscrição eleitoral em que residi e trabalhei realizou as suas reuniões para a apresentação de candidatos. Houve reuniões nas fábricas. A Universidade de Moscou que se situava nesta circunscrição realizou a sua reunião. O pessoal da Grande Biblioteca Lenin reuniu-se para designar candidatos. Também o fizeram todas as associações cooperativas de lojas comerciais da zona, os sindicatos, o partido comunista, as organizações de juventude, etc.


Em cada reunião era proposto um grande número de candidatos. O procedimento de cada candidato consistia em levantar-se, apresentar uma breve biografia e as razões pelas quais considerava que a sua candidatura deveria ser ou não aceite. A recusa por parte do nomeado era vista como uma falta de responsabilidade cívica. Se considerava que não devia ser eleito, tinha o dever de subir ao palanque, apresentar a sua breve biografia e explicar porque é que a sua nomeação não devia ser aceite. Este processo durou duas semanas inteiras. Algumas organizações reuniam-se todas as noites durante este período para examinar milhares de candidaturas. Cada candidato tinha de se submeter às perguntas da assembleia. No final, um ou mais candidatos eram propostos para representar toda a circunscrição, com indicação do organismo que os tinha escolhido.


Para além da propor os seus candidatos, cada grupo elegeu um determinado número de delegados, numa base de representação proporcional, à conferência congressual da circunscrição. Os trabalhos desta conferência duraram também cerca de duas semanas. As candidaturas foram apresentadas a este órgão. Seguiu-se o mesmo procedimento. Cada candidato foi examinado, confrontaram-se as respectivas qualificações com as dos restantes candidatos e finalmente as propostas foram colocadas à votação dos delegados para uma seleção final.


Com frequência este órgão aprovava não um mas dois, três ou mesmo mais candidatos. Depois deste meticuloso processo de apuramento, os candidatos eram submetidos ao eleitorado para uma votação final. E assim, o eleitorado escolhia por maioria de votos um dos candidatos que representaria a circunscrição no Congresso dos Sovietes da URSS. Por aqui se pode ver que, longe carecer de democracia, este é um processo muito democrático, uma vez que dá às pessoas comuns a possibilidade de participar de forma muito direta na escolha dos candidatos, e nós sabemos pelo nosso próprio sistema eleitoral que, em última análise, a escolha do candidato é o aspecto crítico de qualquer eleição.


Nas eleições de que fui testemunha vi candidatos a serem «passados pelo crivo» de uma maneira que seria muito benéfica se fosse aplicada no nosso país. As suas contribuições e participação nas atividades sociais, o seu interesse pelos assuntos públicos, o seu historial de serviços prestados desinteressadamente, os seus estudos, educação e grau de aproveitamento em termos de progresso pessoal e de benefício para a sociedade – tudo passava pelo crivo. Um indivíduo com má conduta pessoal e moral que se apresentasse como candidato era logo confrontado em plena assembleia pelos vizinhos e colegas de trabalho que o conheciam bem. Em certos aspectos assemelhava-se à nossa «Reunião de Cidade»(2) da Nova Inglaterra, aplicada à colossal escala nacional, num sufrágio que envolvia 170 milhões de pessoas. É deste processo que provém o incentivo à participação e empenhamento social e o interesse das pessoas pelos assuntos públicos em todo o país.


Nestas eleições, por exemplo, cerca de metade dos membros do Congresso dos Sovietes da URSS não foram reeleitos. Muitas figuras gradas bem instaladas, incluindo numerosos membros do partido comunista, ficaram surpreendidas quando no final das eleições se viram rejeitadas, enquanto muitas outras pessoas, que nem sequer eram membros do partido comunista e que nunca tinham pensado em cargos políticos, mas que haviam prestado grandes serviços à causa pública, com verdadeira devoção pelas pessoas, nas suas profissões ou ocupações, ou nalguma organização de voluntariado, viram-se membros do órgão supremo de poder da URSS, o novo Congresso dos Sovietes da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Este é um novo tipo de democracia e eu diria que os serve muito bem.


Cada geração tem de estar vigilante em relação às suas próprias liberdades. Ninguém pode garantir as liberdades das gerações vindouras. As liberdades conquistadas podem voltar a perder-se. Por conseguinte, a mera organização eleitoral mecânica não é em si uma garantia para sempre de que as liberdades do povo serão salvaguardadas, mas, na medida em que é possível orientar uma qualquer estrutura política para dar a melhor resposta aos anseios e necessidades das pessoas, eu diria que a União Soviética tem feito grandes progressos nessa direção.


Mas mesmo a União Soviética, como constantemente nos recordavam, não é uma entidade isolada vivendo no vácuo, ela faz parte do mundo real. A Europa Ocidental e a Ásia estavam em efervescência com as primeiras batalhas da II Guerra Mundial. Havia coisas a fazer para ajudar o povo espanhol sitiado, havia ainda o movimento clandestino nos países dominados pelos nazistas, a organização de movimentos de frente popular contra os nazistas nos países democráticos e o crescimento das forças antijaponesas na China.


O meu interesse primordial era obviamente os Estados Unidos. Mas os Estados Unidos também não vivem como uma entidade isolada, no vácuo, e o futuro do nosso país decidia-se em grande medida na Europa e na Ásia. Como milhares de outros americanos decidi dar uma ajuda lá onde pudesse ser útil. Tive sorte de poder fazer uma escolha quase livre.


NOTAS

(1) Trata-se das eleições para o VIII Congresso Extraordinário dos Sovietes da URSS, que teve lugar em Moscovo entre 25 de Novembro e 5 de Dezembro de 1936 e aprovou por unanimidade o projecto de Constituição da URSS. Nos trabalhos participaram 2016 delegados (419 mulheres) com voto deliberativo, dos quais 42 por cento eram operários, 40 por cento camponeses e 18 por cento empregados; os membros do partido comunista representavam 72 por cento, sendo 28 por cento dos delegados sem partido. Estiveram presentes delegados de 63 nacionalidades. (N. Ed.)


(2) No original: New England Town Meeting. A «Reunião de Cidade» é uma forma de governo local em alguns estados dos EUA. Surgiu na região da Nova Inglaterra ainda nos tempos coloniais, sendo adoptada no século XIX noutras regiões do país. (N. Ed.)


excerto das Memórias de Sam Darcy, dirigente do Partido Comunista dos EUA

Traduzido pelos camaradas portugueses do site Para a História do Socialismo

A NOVA NATO E LATINOAMÉRICA

 


 

Este próximo 27 de xulho ás 19:30h. Con Iñaki Gil de San Vicente.  Vigo. Galiza. ás 19:30h

POLA REPÚBLICA SOCIALISTA GALEGA. É HORA!

 


POLA REPÚBLICA SOCIALISTA GALEGA

Desde o PCPG, saudamos a todos/as que se manifestan neste novo Dia nacional da Patria Galega.
Hoxe, xunto coa parte máis conscente do povo galego reivindicamos o noso direito a autogovernarnos e organizarm
os a nosa vida e o noso futuro como povo totalmente soberano.
Un ano máis demandamos algo que repetimos ano após ano desde as nosas limitadas e coutadas posibilidades informativas, algo que aínda repetido e reiterado non perdeu nen caducará até que conquerilo: o irrenunciabel direito democrático de autodeterminación, que en palabras de Lenine ou de Cónnolly, Fidel ou Ho Chi Minh é única e exclusivamente o dereito de independencia nacional en irmandade internacionalista con todos os povos do mundo, en primeiro lugar cos países do noso entorno de luita de clases, cultural, lingüístico e tradicional máis próximo (o da Lusofonía, digámolo abertamente).
Condenamos todo aquilo que nos aldraxa, que nos nega ou se opón secularmente o exercicio das nosas irrenunciábeis liberdades e dereitos nacionais, populares, progresivos e de clase.
Repudiamos con máis determinación que nunca un réxime cada vez máis alheo ao noso povo e a todos os valores democráticos, ese rexime monárquico imposto polo fascismo que subordina a nosa vida e porvir aos propósitos dos que se amparan nel, dos que se benefician destruindo os nosos medios de vida tradicional, noutrora abondosos de fartura comunal e do noso agro e mar, dos que nos expulsa ás cheas.
Erguémonos indignados contra esa "realidade" que nos proscribe e relega, porque Galiza é umha terra rica en recursos naturais e humanos, privada de producir para os seus propios habitantes e na que, por culpa diso, existe un mar de desemprego, prestacións de miseria, salarios e pensións inferiores ao promedio do Estado EspaÑol ao tempo que, ainda agora, centos de miles de mozos/as galegos/as tenhen que emigrar, para despois atopar os peores trabalhos e os salarios máis baixos.
Rexeitamos as políticas asimilistas que atacan sen piedade a nosa lingua nacional e proletaria e marxina a nosa cultura popular mentres que, desde o seu desdén neo-colonialista, chovinista e imperialista, infiltra e difunde entre a mocidade e o noso povo traballador a “inutilidade da nosa lingua, a falacia do bilingüismo e a especie mentireira da chamada cultura "común".
Condenamos os séculos de dominación imperialista e a tirania expoliadora que padecemos e esiximos liberdade e respecto para todos e todas os que loitan e se rebelan, para todos e todas aqueles/as que son maltratados ou mesmo son presos ou desterrados nos cárceres dun Estado corrupto e infame do reino de espaÑa que é, en si mesmo, cárcere de nacións e de povos.
Denunciamos e desenmascaramos aos paladins deste réxime, aos seus medios e plumíferos (posfranquistas e "demócratas de toda la vida") que coa complicidade duns novos autonomistas ben instalados manipulan e xustifican con todo tipo de mentiras. Son os mesmos que defendían hai pouco menos de 4 décadas o direito de Autodeterminación que desautorizan agora; os mesmos que, con descaro e impudicia criminalizan hoxe a súa simples mención propagando que no noso pais se teñen acadado cotas de autogoberno ("autónomo", claro está) seica nunca vistas, eses que se darán incienso, uns aos outros, na catedral Compostelana.
Mergullados no cinismo e a ignorancia que sementan non se decatan que do seo do povo xorden colectivos que organizan a rebeldía popular e de clase, mozos e mozas insurxentes, homes e mulleres dignos e lúcidos que non dimiten nin se resignan; obreiros e obreiras de enorme xenerosidade capaces para organizaren resistencias e combates contra a explotación capitalista ou submisión e decaemento nacional; contra a inxustiza social, contra o deterioro ambiental e contra a represión en todas as súas formas; contra as guerras imperialistas da OTAN e a UE, a barbarie imperialista e o ascenso, nunca visto nos últimos 75 anos, do nazi-fascismo que nos queren imponher as bestas da nova orde que sonhan con instaurar contra a humanidade.
É-nos grato ver ducias de miles de manifestantes saindo ás rúas do noso país para berrar que Galiza non se Vende!. Miles e miles de de persoas dignas de toda condición; traballadores e traballadoras galegos que se erguen en todo o país contra os plans destructivos que promove o grande capital por medio de celulosas que encheron de eucaliptos e lumes pavorosos a nosa terra, muinhos eólicos que non precisamos que rouban montes e mares, e impeden o porvir territorios; miles que luitan contra as privatizacións, a precariedade e inseguranza laboral, contra a represión e persecución da disidencia (especialmente a comunista e a independentista) e a violación de direitos políticos e sociais ou contra suba dos prezos. Son sinais inconfundibeis de que o povo galego traballador, a clase obreira e a súa mocidade luitan en defensa da Terra e contra do seu sometemento secular, combaten contra a explotación de clase e a opresión nacional a mans de corporacións expoliadoras do capitalismo transnacional.
Sabemos que o noso futuro inmediato baixo a súa dominación e despotismo capitalista e imperialista será de máis explotación e inxustiza social envolveito en todo tipo de sutilezas: Máis explotación e precariedade, máis destrución do territorio, menos servizos de transporte, menos sanidade, máis depauperización e máis ataques ao idioma, máis agresións á identidade e cultura nacional milenaria, a nosa, por ser a do povo traballador.
Porén estamos aquí, non nos importan nen impresionan os seus cantos de serea, as súas ameazas nen as súas reviravoltas e atavíos. Inspíranos a clarividencia e firmeza dos que combateron e loitan, daqueles que foron ou son paradigma de servizo á causa do noso povo trabalhador. Como dicia tamén algún dos nosos clásicos, "A AUTODETERMINACIÓN É CATEGORICAMENTE A ESENCIA DA LOITA DE CLASES NAS NACIÓNS SEN ESTADO", porque só "tomando control" dos seus recursos e do seu territorio pode o povo traballador galego avanzar cara súa emancipación, só facendo iso poderá comezar a construír unha sociedade de igualdade e xustiza social avanzada, o socialismo!.
O Partido Comunista do Povo Galego, como parte deste combate, noso desde o primeiro momento, apoiamos esta causa de todo corazón e apelamos ao noso povo traballador a sumarse decididamente a ela. Alén máis, no noso partido consideramos que temos que impulsar a luita consecuente, erguer a UNIDADE DE CLASE, pola base, por riba de siglas, por dereitos sociais e salários dignos. Impónse a REBELIÓN contra este rexime capitalista de corrupta “democracia” burguesa, rebelión na que toda a clase, incluída a luita das mulheres trabalhadoras, a metade do povo e da nosa clase, serán imprescindíbeis e terán o papel fundamental.
Hai 91 anos que a clase obreira en alianza cos labregos e con outros sectores sociais progresivos se mobilizaron por extensas comarcas do país e proclamaron a República Galega, episodio que por certo, axudamos decisivamente a resgatar muitas décadas despois (a primeiros anos 90) desde o noso partido.
Hai 50 anos que a nosa heroica clase obreira de Ferrol e Vigo, dirixida por consecuentes e probados dirixentes da clase obreira (algúns dos cuais nos agasalharon coa súa camaradería partidaria) se ergueron lúcida e coraxosamente, durante meses, contra o capital e o oprobio fascista. Estamos orgulhosos deles e delas!.
Aqueles episodios convertéronse en fitos que nos marcaron até o dia de hoxe, exemplos imborrabeis da luita de clases vitoriosa que tería que seguir a ser bandeira. Vidas de abnegación e impagábeis sacrificios, persecución e sangue pola causa do noso povo, traxectorias vitais pouco ou nada agradecidas e sobre todo tristemente esquencidas.
Desde o noso nacemento, hai ducias e ducias de anos (máis de 40), os comunistas galegos do PCPG sempre erguemos esses referentes, esas bandeiras de emancipación social e nacional. Referentes dos que consideramos clave elevar o nivel de unidade pola base, da clase obreira e todo o povo trabalhador, fronte á traizón e o seitarismo, pulando pola combatividade e consciencia política e ideolóxica e procurando compartir e aprender deste caminho, en primeiro lugar con todos os luitadores e luitadoras comunistas que son guieiro de práctica real e consecuente, sempre modesta e alonxada de todo seitarismo, da impaciencia, do expontaneismo e de todo suxectivismo ou engreimento ridículo, por muito que se adorne con efeitos "especiais” e daquilo do que temos fuxido sempre, os contoneos propios da pequena burguesía.
Neste país, aquí e agora, é preciso bourar arreo polos proxectos afirmados na verdade histórica da luita de clases, apostando con solidariedade e fraternidade, con audacia, intelixencia e lucidez por vieiros máis que trilhados de ensinanzas entre as que está a inexcusábel unidade que nos demanda o povo trabalhador; coa orientación do caminho verificado por aqueles camaradas que nos precederon e que nós reivindicamos tamén hoxe, con mesmas ou parecidas palabras de orde:
POLA REPÚBLICA SOCIALISTA GALEGA!.
ALTO AO IMPERIALISMO E O FASCISMO!
O POVO É QUEN MÁIS ORDENA!.
 
25 de xulho de 2022.
Partido Comunista do Povo Galego